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29 de março de 2012

Claudia Raia: a rainha dos musicais



De São Paulo ao Rio, Claudia Raia domina a cena por onde passa. Depois de nove meses na ponte aérea — passou três deles ensaiando e seis estrelando o musical “Cabaret” no Teatro Procópio Ferreira —, a atriz chegou ao Mirante Hans Stern, na Avenida Niemeyer, no Leblon, com o ar de felicidade que só quem está em casa pode ter. A versão brasileira do espetáculo, encenado pela primeira vez na Broadway, em 1966, estreia amanhã, às 21h, no Teatro Oi Casa Grande. Para a paulista Claudia, que se considera “abraçadíssima pelo Rio”, a peça tem a cara da Cidade Maravilhosa.

— É um espetáculo libidinoso, vital, com muita energia. Tudo a ver com o Rio — destaca.

A história de “Cabaret”, o décimo musical estrelado pela atriz, se passa em Berlim, nos anos 30, período de franca ascensão do nazismo. Sally Bowles, personagem de Claudia, é uma mulher encantadora e sombria.

Prostituta, solitária e viciada em gim, ela engata um romance conturbado com o escritor americano Cliff Bradshaw, vivido por Guilherme Magon. A densidade e os dramas pessoais de Sally só ficam de lado quando ela sobe ao palco da casa noturna Kit Kat Club.

— Sally não é bipolar, é quadripolar. E só existe de verdade quando a luz acende e começa a cantar — define Claudia, empolgada.

Tomando uma água de coco, perto do mar, a atriz revela um traço de sua personalidade: a insistência. Para viver a protagonista de “A chorus line”, seu primeiro musical, passou uma noite na fila de espera para os testes. Garantiu a senha número um e assegurou ao falecido diretor Walter Clark, produtor do espetáculo, que ficaria com o papel. Estreou nos musicais com uma personagem de 35 anos, 19 a mais do que tinha na época.

A insistência também marca sua paixão por “Cabaret”. Em 1989, Claudia foi convidada para a primeira versão brasileira da peça. Como estava envolvida com a novela “Rainha da sucata”, da Rede Globo, não pôde aceitar. Mas prometeu a ela mesma que, algum dia, iria montá-la em grande estilo.

Em 2006, antes de estrelar “Sweet charity”, Claudia tentou comprar os direitos de “Cabaret” em parceria com os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho. Em vão. No ano passado, conseguiu, enfim, viabilizar o sonho e se tornou produtora do espetáculo ao lado de Sandro Chaim.

— Aconteceu num momento bom. Agora tenho a idade certa para viver a Sally — diz a atriz, de 45 anos.

A nova versão brasileira do musical é assinada por Miguel Falabella, amigo de longa data da atriz. A direção fica a cargo de José Possi Neto, com quem Claudia nunca havia trabalhado.

— “Namoramos” há muito tempo e o entrosamento foi total. Ela é dedicada e divertida, e está sempre cem por cento pronta para trabalhar — elogia Possi.

Dramaturgia ganha peso na montagem

Bailarina de formação — chegou a estudar balé em Nova York —, Claudia tem na boa forma uma aliada fundamental na maratona de apresentações que está por vir. “Cabaret” fica em cartaz até 10 de junho, com cinco sessões semanais. Ao final da temporada carioca, terão sido 135 horas no palco do Oi Casa Grande. Cantando, dançando e, principalmente, interpretando as dores e os momentos de alegria de Sally.

— Musical é a arte dos três cérebros. Nesta versão do Miguel (Falabella), a dramaturgia tem um peso maior, é ela que “carrega” as músicas — explica.

Em “Cabaret”, o enredo clássico das histórias de amor mal resolvidas puxa a narrativa. Além do envolvimento de Sally com Cliff, há o romance entre a alemã Fräulein Schneider (Liane Maya) e o judeu Herr Schultz (Marcos Tumura). Tudo isso com a apresentação do Mestre de Cerimônias, papel de Jarbas Homem de Mello, indicado a melhor ator na edição paulista do Prêmio Shell (conquistado por Rodrigo Bolzan, por “Oxigênio”) e namorado de Claudia na vida real.

— Todo mundo já passou por um amor que não se resolveu — diz a atriz.

Esta é a terceira vez que Claudia apresenta um musical na Zona Sul. “A chorus line” e “A pequena loja dos horrores” foram encenados no antigo Teatro Tereza Rachel, que será reinaugurado no próximo dia 6 com um show de Bibi Ferreira. No Rio há quase 30 anos, a atriz paulista considera que a cidade tem, na Zona Sul, “um charme especial”.

— Já morei na Lagoa e em Copacabana. Minhas atividades ao ar livre, meus médicos, os restaurantes que frequento, tudo acontece por aqui — conta

Fonte: O Globo