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3 de dezembro de 2009

Matéria do Blog de Rubens Ewald Filho


Há muitos anos eu dividi um táxi no Rio de Janeiro, do Santos Dumont até a Globo, com uma jovem simpática, exuberante, que depois fui descobrir tinha visto no musical A Chorus Line.

Desde então ficamos amigos e ela nunca me decepcionou, mesmo se tornando a maior estrela de musicais do Brasil, gênero que sempre a apaixonou.

Claro que com o tempo, o Brasil inteiro se encantou com aquela talentosa mulher, um monumento de beleza , chamada Claudia Raia.

Uma pessoa absolutamente determinada, dedicada, que trabalha o corpo para mantê-lo em forma. Na peça logo de cara diz que tem quarenta anos, uma idade difícil para uma dançarina.

Neste novo espetáculo em cartaz Perna para o Ar (por poucos dias) no esplêndido Teatro Bradesco (no Shopping Bourbon) demonstra um nova faceta, uma bela voz, que ela foi aperfeiçoando e que agora brilha, em particular num solo a cappella (ou seja, sem acompanhamento, na canção Speak Low de Kurt Weill).

Já disse que não sou crítico de teatro, falo de quem e do que gosto. Este show de Claudia, é um projeto muito pessoal, bancado por ela própria, sem lei, até porque este ano tem sido difícil captar qualquer coisa, que de certa forma lembra o programa Não Fuja da Raia.

Ou seja, conta uma história pontilhada de canções famosas, em geral de musicais de Bob Fosse que ganharam traduções, letras adaptadas para a narrativa atual.

No caso, uma mulher que é visitada pelo diabo que a leva numa jornada contra sua vontade (as pernas ganham vida própria). O que faz todo mundo dançar e cantar.

O diferencial é que a produção é extremamente cuidada e bonita, com o que há de mais moderno em animação e projeção (sobre o cenário branco) e o elenco é todo excelente.

Destaco aqueles que eu conheço melhor, como é o caso do Tomura (que fez Miss Saigon recentemente) e o Jarbas Homem de Mello, que estrelou Querido Mundo, que eu dirigi, por isso sei bem como ele é talentoso.

Ainda assim me surpreendeu dançando muito bem, coreografias difíceis como o Steam Heat de Bob Fosse. Também as mulheres (não tinha programa e perdoe, mas não sei os nomes), em particular a que faz a enfermeira e depois volta como uma das três Nossas Senhoras.

Não há outra pretensão além de divertir, fazer passar agradável hora e meia.

Com ótimas canções, excelente elenco, belo visual, situações divertidas e uma estrela como existem poucas aqui e mesmo lá fora, a carismática e querida Claudia Raia.

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